A cirurgia ortognática é um dos procedimentos mais transformadores da cirurgia bucomaxilofacial. Ela corrige deformidades esqueléticas dos maxilares, melhorando simultaneamente a função mastigatória, a respiração, a fala e a estética facial. Se você possui problemas de mordida que não podem ser resolvidos apenas com aparelho ortodôntico, este artigo traz tudo o que você precisa saber.
Quando a Cirurgia Ortognática É Indicada?
A cirurgia ortognática é indicada quando existe uma discrepância esquelética significativa entre a maxila (osso superior) e a mandíbula (osso inferior) que não pode ser corrigida apenas com ortodontia. As principais indicações incluem:
- Prognatismo mandibular (Classe III): mandíbula projetada para frente em relação à maxila, criando uma mordida invertida (cruzada anterior).
- Retrognatia mandibular (Classe II): mandíbula recuada, com queixo para trás, frequentemente associada a ronco e apneia do sono.
- Deficiência maxilar: maxila pouco desenvolvida ou recuada, afetando a projeção do terço médio da face.
- Mordida aberta esquelética: incapacidade de fechar os dentes anteriores, dificultando a mordida e a mastigação.
- Assimetria facial: desvio da mandíbula ou da maxila que causa assimetria visível no rosto.
- Apneia obstrutiva do sono: quando a retrognatia contribui para o estreitamento das vias aéreas durante o sono.
- Dificuldade mastigatória: quando o encaixe dos maxilares compromete significativamente a capacidade de mastigar.
Importante: a cirurgia ortognática não é apenas estética. Ela corrige problemas funcionais reais que afetam a qualidade de vida, incluindo dificuldade para mastigar, respirar, falar e até mesmo dormir.
Tipos de Cirurgia Ortognática
Existem diferentes tipos de cirurgia ortognática, e a escolha depende de onde está a deformidade:
Osteotomia Le Fort I (Maxila)
Cirurgia na maxila (osso superior) que permite reposicionar a arcada superior para frente, para trás, para cima ou para baixo. Indicada para deficiência maxilar, mordida aberta e excesso vertical da maxila (sorriso gengival esquelético).
Osteotomia Sagital Bilateral (Mandíbula)
Cirurgia na mandíbula que permite avançar ou recuar o osso inferior. É a técnica mais utilizada para corrigir prognatismo e retrognatia mandibular.
Cirurgia Bimaxilar
Combinação das duas cirurgias anteriores, reposicionando maxila e mandíbula simultaneamente. Indicada quando ambos os maxilares apresentam alterações. Proporciona os resultados mais completos e harmônicos.
Mentoplastia
Cirurgia no mento (queixo) que complementa a ortognática, refinando o contorno do terço inferior da face. Pode avançar, recuar ou redimensionar o queixo.
Planejamento Digital 3D
A cirurgia ortognática moderna conta com planejamento digital tridimensional, que revolucionou a previsibilidade dos resultados. O processo inclui:
- Tomografia computadorizada: exame de imagem que gera um modelo 3D preciso dos ossos da face e dos dentes.
- Escaneamento digital dos dentes: moldagem digital das arcadas dentárias, sem necessidade de moldagem convencional com massa.
- Simulação virtual: utilizando softwares especializados, o cirurgião simula os movimentos ósseos e visualiza o resultado antes da cirurgia.
- Guias cirúrgicos: confecção de guias impressos em 3D que orientam o posicionamento dos maxilares durante a cirurgia com precisão milimétrica.
Vantagem do planejamento 3D: o paciente pode visualizar uma simulação do resultado facial antes da cirurgia, permitindo participar ativamente das decisões e ter expectativas mais realistas sobre o resultado.
Como É a Cirurgia?
A cirurgia ortognática é realizada em ambiente hospitalar, sob anestesia geral. A duração varia de 2 a 4 horas, dependendo do tipo de cirurgia (maxila, mandíbula ou bimaxilar).
Características importantes da cirurgia:
- Acesso intraoral: todas as incisões são feitas por dentro da boca, sem cicatrizes visíveis no rosto.
- Fixação com miniplacas e parafusos: os ossos são reposicionados e fixados com miniplacas e parafusos de titânio, que permanecem permanentemente e não precisam ser removidos.
- Sem travamento dos maxilares: na maioria dos casos atuais, não é necessário o bloqueio maxilomandibular (amarrar os maxilares fechados), como era comum antigamente.
- Internação: geralmente de 1 a 2 dias no hospital para monitoramento pós-operatório.
Cronograma de Recuperação
Primeiras 48 horas
Internação hospitalar. Inchaço significativo na face. Alimentação líquida. Medicação endovenosa para dor e inchaço. Compressas geladas.
Primeira semana
Pico do inchaço (dia 3 a 5). Alimentação líquida e pastosa. Repouso em casa. Uso de elásticos ortodônticos para guiar a mordida. Higiene bucal cuidadosa.
Segunda semana
Inchaço diminui progressivamente. Alimentação pastosa mais variada. Remoção de pontos. Retorno ao consultório para acompanhamento. Possível retorno a atividades leves.
1 mês
Inchaço residual discreto. Alimentação semissólida. Retorno ao trabalho (atividades não físicas). Sensibilidade facial em recuperação gradual.
3 meses
Alimentação praticamente normal. Liberação para exercícios físicos. Resultado estético já bastante evidente. Continuidade do tratamento ortodôntico.
6 a 12 meses
Consolidação óssea completa. Resultado definitivo. Finalização da ortodontia. Recuperação completa da sensibilidade facial.
Cuidados no Pós-Operatório
Alimentação
Líquida na primeira semana, evoluindo para pastosa e semissólida. Alimentação normal após liberação do cirurgião (geralmente em 6 a 8 semanas).
Higiene bucal
Escovação suave com escova pós-cirúrgica. Uso de enxaguante bucal prescrito. Bochechos cuidadosos após as refeições.
Compressas geladas
Aplicar nas primeiras 72 horas, 20 minutos com e 20 sem. Fundamental para reduzir o inchaço e o desconforto.
Repouso
Cabeça elevada ao dormir. Evitar esforço físico por pelo menos 30 dias. Evitar exposição solar prolongada no rosto.
Perguntas Frequentes
A cirurgia ortognática é indicada quando há deformidades esqueléticas dos maxilares que não podem ser corrigidas apenas com ortodontia. Isso inclui prognatismo, retrognatia, mordida aberta esquelética, assimetrias faciais e deformidades que comprometem a mastigação, respiração ou fala.
Sim. Na grande maioria dos casos, a cirurgia ortognática é realizada por acesso intraoral, ou seja, todas as incisões são feitas por dentro da boca. Isso significa que não há cicatrizes visíveis no rosto.
A recuperação inicial leva de 2 a 3 semanas, período em que o inchaço é mais significativo e a alimentação é líquida e pastosa. O retorno ao trabalho geralmente ocorre em 2 a 4 semanas. A recuperação completa leva de 6 a 12 meses.
Na abordagem convencional, sim. O preparo ortodôntico pré-cirúrgico dura em média 12 a 18 meses. Porém, com a abordagem surgery first (cirurgia primeiro), é possível operar antes da ortodontia em casos selecionados.
Sim, em muitos casos. Quando há indicação funcional comprovada (dificuldade mastigatória, apneia do sono, disfunção da ATM), a cirurgia ortognática pode ser coberta por planos de saúde. É necessária documentação clínica que comprove a necessidade funcional.
O valor da cirurgia ortognática varia conforme o tipo de cirurgia (maxila, mandíbula ou bimaxilar), a complexidade do caso, o hospital e a equipe envolvida. O preço é definido após avaliação completa com exames de imagem e planejamento digital 3D.